Editorial


Quase tudo se inicia por um qualquer pretexto. O nosso foi de trazer um pouco de vida a uma aldeia Valecambrense desde há muito abandonada. A ideia não era nova. Há já muito que todo um projecto andava a ser amadurecido nas nossas cabeças. Sabíamos, ainda que de uma forma um tanto ou quanto inconsciente, que um dos nossos objectivos maiores era o de organizar algo que, dentro do campo das actividades lúdicas, diferisse quase radicalmente das estruturas organizativas a que estávamos habituados e, partindo desse pressuposto, deixarmos então que o próprio tempo fosse conferindo às coisas a consistência que ambicionávamos e considerávamos necessária.

Espaço já nós possuíamos e a sua localização e envolvência característica agradava-nos sobremaneira. Para darmos asas à nossa imaginação faltava-nos apenas entrar em contacto com os proprietários da aldeia para que nos fosse permitido o uso do espaço em questão e sensibilizar as autoridades e população em geral para que o seu apoio ao nosso projecto fosse inequívoco, o que conseguimos num espaço de tempo que quase podemos apelidar de “recorde”.

Reunidas então as condições que considerávamos básicas à realização do evento, pudemos então deitar mãos à obra e iniciar a idealização de algo que ao nível da estrutura pretendíamos que fosse o mais abrangente e original possível.

Assim sendo, as nossas opções recaíram sobre um leque de actividades, artes e ofícios que, pela sua implantação nos hábitos de todo um povo nos pareciam capazes de proporcionar uma ambiência de quebra temporária com os nossos próprios quotidianos e cativar uma camada populacional diversa interessada neste género de fenómenos.


A convivência, no mesmo espaço, de uma panóplia de artes e ofícios tão diversos como o são a escultura e a olaria, a pintura e o trabalho em lousa, as oficinas de marionetas e as artes decorativas; e se juntarmos a isto o teatro de rua, os espectáculos musicais, uma feira do livro e uma descarga de fogo de artifício, cremos poder proporcionar, ainda que por um espaço de tempo limitado, uma forma bastante positiva de entretenimento. O senhor ou a senhora que neste momento acabam de ler este artigo podem atestar esse facto. Portanto, sejam bem vindos a este festival tradicional de Trebilhadouro e que a sua experiência tenha sido agradável.